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Nascido em 6 de março de 1934, o paulistano Anísio Campos é um dos mais fecundos e criativos projetistas brasileiros de automóveis. Sua carreira de “inventor de carros” vem dos anos 60, associada à competição, quando deu início ao desenvolvimento de protótipos e à preparação de máquinas para a nascente indústria automobilística nacional. Ainda enquanto sócio da Pró-Base, firma paulista especializada em trabalhos em poliéster e fibra de vidro, participou de momentos históricos do esporte brasileiro: desenhou os primeiros Fórmula Vê e Super Vê nacionais; contribuiu para o desenvolvimento do Malzoni – o belo e bravo carrinho com motor DKW que, logo adiante, daria origem à Puma;  projetou o DKW Carcará, recordista brasileiro de velocidade em 1966; em 1968, sob encomenda da revista 4 Rodas, participou da concepção final do GT 4R sobre plataforma Volkswagen, do qual a Puma construiria quatro exemplares para serem sorteados entre os leitores da revista. Na década seguinte, com Luís Pereira Bueno criou a Equipe Z, germe da vitoriosa Equipe Hollywood de competição. Para além disso tudo, projetou e construiu diversos outros modelos para terceiros, dentre os quais o inovador buggy Kadron, o Engerauto Topazzio, pequenos automóveis Dacon para uso urbano e o Obvio!, mini-carro destinado à exportação, para cujo nascimento recentemente contribuiu.

Designer prolífico, que há quase cinco décadas vem deixando marcas nos mais variados setores com suas artísticas criações, Anísio Campos legou seu nome – aliás, suas iniciais – a apenas uma cria: o AC, primeiro esporte-protótipo de competição brasileiro, de 1968. Seu objetivo era produzir um carro esportivo em pequena série, de modo a tornar acessível aos pilotos brasileiros um veículo nacional competitivo e de custo reduzido. O AC era um spyder biposto com estrutura tubular e carroceria de plástico reforçado com fibra de vidro, caracterizado pelo volante e alavanca de câmbio à direita e pelo par de vistosos faróis retangulares. Com 2,30 m de distância entre-eixos, recebia motor Volkswagen 1600 montado na traseira, devidamente preparado com componentes Puma; a suspensão dianteira era VW e a traseira (de projeto próprio, oriunda da Fórmula Vê) independente com molas helicoidais; tinha freios a disco apenas na dianteira.

A apresentação pública do AC se deu no VI Salão do Automóvel, onde ocupou parte do acanhado stand da Puma (encarregada da produção dos cinco exemplares construídos), que mal iniciava a sua bem-sucedida carreira como construtora. O carro mostrado no Salão era equipado com um aerofólio elevado, comandado eletricamente, com regulagem para duas posições – freio aerodinâmico ou aumento da aderência traseira; o engenho, entretanto, não chegou a ser muito usado em competições. Em 1970 Anísio preparou uma versão mais potente, com motor de dois litros (Porsche com 198 cv ou VW com 146 cv). O aumento das solicitações daí derivadas exigiu a revisão completa do projeto, com reforço da estrutura treliçada, redesenho da suspensão e adoção de freios a disco nas quatro rodas. Também a carroceria foi alterada para acompanhar a nova mecânica. Os bipostos AC correram até 1973, sem muito destaque, quando foram abandonados por protótipos mais atualizados.

<anisiocampos.com>





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