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ARUANDA | galeria

Notável protótipo de automóvel para uso urbano, o Aruanda foi desenvolvido pelo paulistano Ari Antonio da Rocha entre 1963 e 1964 quando, ainda com 23 anos, era universitário e estagiário da Vemag. Graduado em arquitetura e desenho industrial pela FAU-USP, em 1964, venceu com sua proposta o Prêmio Lúcio Meira de 1964, concurso de design automobilístico associado ao Salão do Automóvel. O projeto do carrinho intentava, sob a ótica de urbanista, reduzir o conflito entre o transporte individual e as cidades, promovendo a utilização mais racional do espaço público. Segundo o próprio designer, a concepção básica da proposta “foi de ‘vestir’ uma pessoa (cerca de 75 kg) e bagagem mínima com um carro para uso essencialmente urbano, de dimensões muito reduzidas (aproximadamente 2,40 m X 1,70 m X 1,40 m) e pesando cerca de 400 kg”. Projetado para transportar dois passageiros, Ari também concebeu uma versão “familiar”, para seis pessoas, e até um anfíbio militar.

Extremamente moderno até mesmo sob a visão atual, o Aruanda envolvia diversos conceitos inéditos, alguns só plenamente absorvidos décadas depois: carroceria monovolume em forma de cunha, dois santantônios estruturais, grande área envidraçada, anel de proteção de borracha em torno do carro e portas de correr envolventes. Possuía porta-malas à frente e atrás e tanques de combustível de ambos os lados, interligados. Internamente, contava com itens de segurança e conforto indisponíveis em carros de sua categoria, tais como bancos e volante reguláveis, isolamento termo-acústico, ventilação controlada e painel estofado.

O projeto causou tamanho interesse que três famosos carrozzieri italianos – Pininfarina, Michelotti e Fissore – o convidaram para construir um protótipo funcional. Influenciado pela recente parceria entre a Vemag e Fissore, Ari optou pelo último, onde foi convidado a estagiar por um ano. Para equipar o protótipo Ari escolheu um motor Fiat de 500 cm3 com dois cilindros opostos e 25 cv montado na traseira; o carro recebeu caixa de quatro marchas, suspensão independente nas quatro rodas e caixa de direção que permitia reduzido raio de giro, abaixo de seis metros. Apresentado no stand da Fissore no 47º Salão de Turim, em 1965, sobre um piso imitando o padrão das calçadas de Copacabana, o Aruanda causou excelente impressão junto à imprensa especializada da Itália – meca dos desenhistas de automóveis da época –, que o considerou  a proposta a mais inovadora do Salão. O carro veio ao Brasil em 1966, especialmente para ser mostrado no V Salão do Automóvel; o projeto também foi exposto na Bienal Internacional de Desenho Industrial, no Rio de Janeiro, em 1968.

Retornando à sua preocupação a respeito da relação entre automóvel e espaço público, em 1973 Ari defendeu na FAU-USP a primeira tese de Doutorado em design realizada no Brasil, com o tema “O Veículo e a Cidade”. Na ocasião, tomando o centro da cidade de São Paulo como exemplo, novamente propos soluções revolucionárias para a melhoria da circulação em áreas urbanas adensadas: a idéia consistia em criar “bolsões de estacionamento, a partir de onde as pessoas utilizariam ônibus circulares ou um veículo ‘auto-serviço’, uma espécie de evolução do Aruanda com motor elétrico criogênico (funciona a baixas temperaturas), que as próprias pessoas dirigiriam e deixariam na rua para que outro usuário pudesse utilizar. O maior questionamento da banca [examinadora do Doutorado] girou em torno da proposta de que a carteira de motorista fosse um cartão magnetizado para permitir a identificação do condutor e responsabilizá-lo em caso de acidente, assim como para enviar uma conta de serviço público (do mesmo modo que as de telefone ou energia). Como ainda não existiam nem os cartões de crédito, essa solução foi considerada uma idéia impossível de se concretizar”.

Apesar do interesse gerado pelo Aruanda (dentre outros, vindos da FNM, do governo da Bahia e até do Senado australiano), o carro nunca foi industrializado. Ari Antonio da Rocha ainda milita nas áreas de arquitetura e design como professor e consultor. O protótipo foi perdido numa enchente na Puma, sendo devolvido para o próprio Ari mais de 20 anos depois. Sua restauração foi concluída em 2010. 





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