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A Indústria de Carrocerias Serrana Ltda. – Incasel, de Erechin (RS), foi fundada em junho de 1949. Inicialmente construindo uma carroceria de madeira por mês, a produção cresceu lentamente e, no início da década de 60, já saíra do âmbito local, expandindo-se pelos estados do Sul. Já então com estrutura metálica, suas carrocerias simplesmente copiavam modelos de maior produção, como era prática usual dos pequenos fabricantes da região, quase todos tendo a Eliziário como “escola” a ser imitada. Anos depois, na segunda metade da década, foi o Nielson Diplomata o modelo escolhido como “inspiração” para sua nova carroceria rodoviária.

Em 1970, quando a produção atingia a média de dez unidades mensais, a Incasel se voltou para o mercado nacional – que lentamente se recuperava de profunda recessão –, estreando com um stand no VII Salão do Automóvel. Lá apresentou uma carroceria rodoviária sobre o simplório chassi Mercedes-Benz LP, chamada Continental, claramente calcada nos primeiros modelos Marcopolo. À época também foi lançado um urbano com linhas mais modernas, teto plano e amplas janelas com colunas verticais chamado Bulevar.

Dois anos depois, no Salão seguinte, mostrou o rodoviário Continental II, com diversas alterações técnicas e estéticas frente à versão anterior: estrutura tubular de aço, janelas maiores, colunas inclinadas, diversos detalhes de conforto para os passageiros, painel e capô de fibra redesenhados, poltrona do motorista com suspensão hidráulica e toalete em peça única. No mesmo evento foi apresentado seu primeiro urbano da nova fase, o Belveder, sobre os tradicionais chassis com motor dianteiro da Mercedes-Benz.

No IX Salão, em 1974, o Continental (já na versão III) recebia algumas alterações estéticas, a mais visível delas uma nova grade envolvendo os faróis, novo teto e traseira; além do maior uso de fibra de vidro, seguindo a tendência (inclusive nas portas dos bagageiros), também foi equipado com toaletes químicos com desintegrador de detritos. Pouco depois, surgiram seu primeiro (e único) micro, a que chamou Pônei, e o Continental RT, com piso e teto semi-elevados.

A partir daí, a produção da Incasel finalmente começou a adquirir personalidade própria. Novo rodoviário foi lançado em 1976 – o Jumbo –, ganhando traços mais pessoais e criativos (ainda que um tanto massivos), especialmente nas versões sobre chassis Scania e Volvo. Tinha para-choque dianteiro englobando faróis e grade, para-choque traseiro integrando as lanternas, traseira imponente, com teto elevado e relevos horizontais, a meia altura, reduzindo a sensação de volume – idéia já explorada, aliás, pela Marcopolo. Com a chegada do Jumbo, os modelos Continental e RT passariam a responder pelo transporte de média distância. Em 1978 o modelo urbano foi renovado, com o lançamento do Cisne (também apresentado na versão intermunicipal, com traseira cega) e, um ano depois, do Minuano, próprio para operação em corredores, com carroceria padron montada sobre chassi Scania BR-116, duas portas largas e grande área envidraçada. Em 1981 a linha de rodoviários ganhou sua versão mais pesada, o Delta (talvez não inconscientemente, fazendo lembrar fortemente o Ciferal Dinossauro – must da época).

Desde o final de 1970, quando buscou ampliar sua área de atuação, a produção da Incasel não parou de crescer, saindo de 116 unidades, em 1971, para 555, em 1980, com média de quase 50 carrocerias por mês. Em 1981, ano de recessão econômica, praticamente manteve o total do exercício anterior, com 523 unidades. Durante aqueles anos conquistou importantes clientes no segmento rodoviário, inclusive a Eucatur, que opera as mais longas rotas existentes em território nacional, ligando o Sul ao extremo Norte do país.

A partir daí, desentendimentos societários trouxeram problemas para a empresa, deteriorando a situação financeira e levando a demissões e à redução paulatina da produção, caindo para menos de 20 unidades/mês, em meados de 1984 (nessa época já fabricava mais um modelo de ônibus, o sofisticado rodoviário Columbia). Incapaz de saudar as dívidas acumuladas, no final daquele ano a Incasel teve a falência decretada. Em outubro de 1985 seus bens, levados a leilão, foram arrematados pela Comil, empresa fabricante de silos e equipamentos agrícolas de Cascavel (PR), que em menos de três meses retomou a produção. Sob nova razão social – Indústria de Carrocerias Erechim – recolocou em linha os mesmos seis modelos da Incasel (urbanos Cisne e Minuano, rodoviários Continental, Jumbo, Delta e Columbia), apenas em 1987 lançando o primeiro modelo de projeto próprio. A Comil terminou a primeira década do novo século como quinto maior fabricante nacional, com mais de 2.600 unidades produzidas em 2009.





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