DONGFENG
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Incorporada em 1969, a estatal Dongfeng Motor Corporation é um dos maiores fabricantes chineses de veículos (o 3o em 2012), desde 1992 produzindo modelos Citroën e Peugeot no país sob a joint-venture DPCA – Dongfeng Citroën Peugeot Automobile. Em outubro de 2010 uma comitiva de diretores da empresa promoveu encontro no Brasil com o objetivo de identificar rede de agências interessada em importar alguns modelos de seus automóveis (ainda não escolhidos) para depois, “de acordo com os resultados“, vir aqui a instalar fábrica própria.
Como se tornou tão comum entre as empresas chinesas supostamente interessadas em vir para o país, os planos da Dongfeng sofreriam muitos desvios, idas e vindas. Em 2012, os planos de fabricar automóveis já tendo sido deixados de lado, a empresa anunciou publicamente ter acordado com sua “única representante” local – o grupo mineiro Aurium Trading & Investimentos – a construção conjunta de uma fábrica de caminhões médios e pesados, com início de operação previsto para 2015. A planta se localizaria em Pouso Alegre (MG).
Em 2014 a Dongfeng comunicou ao sócio brasileiro a desistência do projeto. Sentindo-se lesada, a Aurium apelou para a Corte de Arbitragem Internacional de Londres, acusando os chineses de violação do contrato e cobrando indenização de R$ 1,67 bilhão pelos danos decorrentes. Suspeitando, ademais, que a compra de 45% do controle da subsidiária de caminhões da Dongfeng pela sueca Volvo, em 2013, teria sido a causa real da desistência dos chineses pelo negócio, em janeiro de 2015 a Aurium decidiu também ingressar no Cade, movendo ação contra a Volvo por violação da livre concorrência. Os dois processos não tiveram o desfecho revelado.
Em 2026, em meio à invasão descontrolada do mercado brasileiro por carros chineses, a Dongfeng ressurge no país com a informação, em abril, de sua decisão pela instalação de rede de concessionárias local e importação e início de vendas no segundo semestre do ano. Coincidentemente, logo no mês seguinte a Stellantis internacional anuncia a assinatura de memorando de entendimento com a empresa chinesa visando a criação de joint-venture responsável por vendas, distribuição, produção, compras e engenharia de veículos elétricos da Dongfeng no mercado europeu. A nova sociedade teria 51% de participação da Stellantis e 49% do grupo chinês, espelhado no processo adotado, em 2024, na criação da Leapmotor International.
Em junho o presidente da Stellantis para a América do Sul admitiu que o acerto com a Dongfeng também contemplaria o Brasil, a primeira ação talvez envolvendo o reposicionamento da Peugeot no mercado sul-americano, acima da linha Fiat, por meio de um elétrico de origem da marca chinesa. Por hora, todavia, paira uma nuvem sobre o futuro da relação das duas firmas no Brasil: as negociações existentes entre Dongfeng e Nissan, prévias à formalização da joint-venture, envolvendo eventual utilização da capacidade ociosa da fábrica Nissan de Resende para a montagem de modelos da empresa chinesa.



