GEELY
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A chinesa Geely (fundada em 1986, no setor automotivo a partir de 1997, proprietária da Volvo e Lotus e dividindo o controle da Smart com a Mercedes-Benz) fabrica automóveis em planta comum com a francesa Renault na Coreia do Sul. Em janeiro de 2022 as duas deram início a novo projeto em conjunto, dessa vez colaborando na produção de motores e transmissões para seus veículos, iniciativa que em junho de 2024 deu origem à Horse Powertrain.
Em fevereiro de 2025 a agência internacional de notícias Reuters informou que as duas empresas estariam prestes a anunciar novo acordo de colaboração no Brasil, agora com vistas a utilizar as instalações locais da Renault para produzir modelos Geely. (Entre 2013 e 2018 carros Geely chegaram a ser vendidos no país – dois modelos convencionais a combustão, trazidos pelos importadores da marca KIA, sem maior repercussão no mercado.)
Os planos foram logo confirmados por meio de comunicado oficial dos dois Grupos, mediante o qual a Renault seria distribuidora de veículos da marca chinesa no mercado brasileiro, podendo futuramente produzir modelos híbridos e elétricos em sua planta de São José dos Pinhais. Na altura não foi revelado se os carros receberiam a marca Renault, nem se seriam comercializados através de rede própria ou compartilhada. A operação seria viabilizada mediante participação acionária minoritária da firma chinesa na Renault.
Novos detalhes foram revelados dois meses depois, em evento com a participação de executivos da duas empresas: a marca teria rede própria, com planos de instalar 105 concessionárias, iniciando com 23 lojas em 19 estados, algumas independentes e outras próximas a revendas Renault; o primeiro carro a ser introduzido no mercado brasileiro, apresentado na ocasião, seria o utilitário esportivo elétrico EX5, com 218 cv equivalentes, bateria de 60,2 kWh e autonomia superior a 500 km; as operações de importação ficariam a cargo da Renault.
As vendas foram iniciadas em julho de 2025, as primeiras 680 unidades desembarcando no porto de Paranaguá (PR) no mês anterior. Para difundir o lançamento, 22 carros foram expostos em shopping centers de todo o país. (Em paralelo, o Grupo Timber, de Curitiba (PR), com negócios de comercialização de veículos, iniciou a importação de dois modelos da marca Farizon, divisão de veículos comerciais elétricos da Geely – o caminhão leve H9E e a van SuperVan.)
A 17 de julho, em evento no Jockey Clube de São Paulo, a Geely oficializou o início das operações no Brasil, ao mesmo tempo em que anunciou a inauguração de 23 novas concessionárias até novembro. (Na ocasião, a empresa já contava com centro de distribuição de peças, instalado em Quatro Barras, PR, para receber componentes importados da China e distribuí-los para a rede de assistência.)
Em novembro de 2025 foram por fim aprovados os termos finais e firmado o acordo de cooperação entre Renault e Geely no Brasil, anunciado em fevereiro, envolvendo a aquisição de 26,4% de participação acionária da empresa chinesa na filial brasileira da Renault. Em consequência, a Geely passará a utilizar as instalações paranaenses para produzir seus carros, cedendo o projeto de sua plataforma multienergia GEA para futuros modelos híbridos e elétricos da Renault. Com a associação, a filial brasileira da Renault passou a chamar-se Renault Geely do Brasil.
Também em novembro desembarcou no Paraná um lote do segundo Geely a ser aqui comercializado – o modelo compacto 100% elétrico EX2, potencial competidor dos líderes de mercado na categoria BYD Dolphin e Great Wall Ora 03. (Reportagem da revista 4 Rodas publicada no mês seguinte, comparando o novo carro da Geely ao best-seller BYD Dolphin, considerou o EX2 superior em itens de segurança, potência, aceleração, suspensão, porta-malas e prazer de dirigir, além de ter menor preço, concluindo que o Dolphin “agora encontrou o primeiro concorrente que pode dar dor de cabeça e afetar as vendas“.)
Logo a seguir foi anunciado investimento conjunto de R$ 3,8 bilhões na fábrica paranaense, destinado a mais do que duplicar a capacidade da planta, passando das atuais 180 mil unidades/ano para 380 mil. Com horizonte de dois anos, os recursos também se destinariam à introdução de uma plataforma Geely dedicada a dois modelos elétricos, uma nova plataforma Renault e à renovação de um modelo existente. Não haveriam linhas de montagem específicas para cada marca, ambas compartilhando as estruturas existentes.
Ainda em novembro, no Salão do Automóvel, foi revelado o primeiro modelo Geely a ser nacionalizado: o utilitário esportivo híbrido plug-in EX5 EM-i, equipado com motor de 98 cv a gasolina e motor elétrico de 214 cv equivalentes, totalizando 259 cv de potência máxima, oferecendo no modo puramente elétrico 105 km de autonomia. Com unidades ainda importadas e em duas versões de acabamento (Pro e Max) o carro teria as vendas iniciadas no primeiro trimestre de 2026.
Com apenas dois modelos no mercado, Geely encerrou 2025 com 3.368 veículos emplacados – 2.442 do pequeno EX2, lançado em novembro e já o terceiro elétrico mais vendido do país.
O que houve de novo a partir de 2026
- Renault Geely inicia testes de montagem da carroceria do híbrido EX5; o carro será fabricado na mesma linha dos modelos Renault Kardian e Boreal (03/26)
- No Salão do Automóvel de 2025 o híbrido EX5 EM-i é anunciado como primeiro Geely a ser produzido no país (foto: portal autodata).
- Menos de quatro meses depois se iniciavam os testes de montagem da carroceria do futuro lançamento na fábrica paranaense da Renault.





